Uma Luz na História

A cidade de Caxambu tem uma ocupação que remonta os séculos XVIII e XIX e nesse período houve a construção de diversos imóveis com especial interesse patrimonial que contam a história do Brasil, do povoamento do sul de Minas Gerais e em especial da cidade de Caxambu.

O Roteiro Uma Luz na História procura divulgar informações tanto das características históricas, como artísticas e patrimoniais dos bens tombados e inventariados do município.

O início do roteiro acontece na Praça 16 de Setembro, segue para a Escola Padre Correia de Almeida, depois para o Museu de Caxambu, Igreja Santa Isabel da Hungria e Morro do Caxambu. Descendo do Morro ele segue em direção aos Hotéis, próximo ao Hotel Caxambu, depois ao Hotel Palace e em seguida ao Hotel Bragança, ao lado da próxima parada que é o Parque das Águas.  Saindo e contornando o parque em um prazeroso passeio pela sua lateral, passamos pelo Hotel Glória e depois seguimos até a última parada que é a Estação Ferroviária antiga.

O ROTEIRO

1 PRAÇA 16 DE SETEMBRO

A Praça 16 de Setembro já foi chamada de Jardim Público, e em seu projeto de restauração houve, em 1912, a inserção de esculturas do artista Chico Cascateiro, que trouxe elementos do naturalismo, uma vez que o artista utilizava cimento armado para trazer elementos naturais para a realidade urbana. As esculturas do artista se misturaram com elementos paisagísticos, tais como árvores frondosas e jardins floridos. O resultado desse projeto artístico foi um belo e encantador jardim público que foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico de Minas Gerais (IEPHA) em 1º de março de 1999 e posteriormente tombado pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico do município de Caxambu. O espaço além de grande importância artística, também conta com grande relevância, pois serviu de hospital de campanha para a Revolução Constitucionalista em 1932, quando o ex-presidente Juscelino Kubitschek (então capitão médico da Polícia Militar) trabalhou atendendo aos soldados feridos em combate que eram trazidos de Passa Quatro.

2 CHICO CASCATEIRO

Francisco da Silva Reis, conhecido como Chico Cascateiro, português, veio para o Brasil no início do século XX, com os fluxos migratórios do período. Acredita-se que ele teria saído do porto de Leixões, em Portugal, e viajado para o Brasil no vapor Rosseti e chegado no dia 27 de outubro de 1907, com 41 anos. Era um artista naturalista, que seguia a arte naturalista muito difundida na Europa do século XIX, com representações do paraíso nas esculturas em parques, jardins e praças.

Os parques urbanos ocidentais, criados no século XIX, acompanham ideais oitocentistas do sublime e do belo, associados tanto ao romantismo como à noção do pitoresco, que se opunham à arte, à arquitetura e ao paisagismo barrocos.

A estética pitoresca designava tipos de construções como castelos, ruínas, pontes e paisagens de barcos à vela, moinhos de vento, montanhas e florestas. Esses elementos eram designados como pitorescos e remetiam um sentimento de naturalidade relacionado simbolicamente a valores românticos dos séculos XVIII e XIX, principalmente na Inglaterra e França. Acompanhando esse ideal de beleza, a natureza era vista como sublime e deveria ser recriada para contemplação e admiração. Assim, os jardins passaram a ser compostos por elementos habituais com exóticos, tais como cascatas, grutas e pavilhões.

Os jardins públicos que passaram a ser criados privilegiavam a sinuosidade dos caminhos, as árvores frondosas que formavam bosques junto a gramados, ruínas e pontes, lagos, ilhas, riachos, cascatas, confeccionados por cimento armado, os rocailles. Esses elementos decorativos para jardins e parques eram produzidos por habilidosos artesãos que trabalhavam em argamassa e imitavam madeira, pedra, pequenos insetos, bancos, cascatas, dentre outros, tendo como principal característica falsear elementos naturais e foram considerados obras de arte ou obras rústicas.

Na França, esses artistas ficaram conhecidos como rocailleur, profissional artesão ou pedreiro que trabalha em cascatas.  Já em Portugal ficaram conhecidos como cascateiros, termo ainda hoje usado para os artesãos que fabricam miniaturas de cascatas.

Os imigrantes que chegaram ao Brasil na segunda metade do século XIX tiveram atuação fundamental na introdução dessa prática de recriação de cenários pitorescos nos jardins praças e parques do país. E aqui ficaram conhecidos como cascateiros ou pedreiros rochistas.

 No Rio de janeiro foi onde viveu a maior parte desses artistas, mas foi no sul de Minas Gerais que viveu e trabalhou o artista de imenso sucesso na decoração de jardins, praças e parques da região, Francisco da Silva Reis, o Chico Cascateiro, como ficou conhecido. Seu trabalho foi encontrado nas cidades de Caxambu, Carmo de Minas, Passa Quatro, Cristina, Maria da Fé e em uma fazenda em Itajubá, sempre com a mesma técnica de falseamento da natureza em cimento armado. Há registros no jornal de Caxambu e na Folha Nova de Carmo de Minas do trabalho de Chico Cascateiro. Em Caxambu, as obras localizam-se principalmente no Parque das Águas e na Praça da Cidade. No Parque, suas obras datam de 1913 a 1918 e constituem bancos, caramanchões, um miradouro com cascata e lago, casa de máquina, quiosque, pontes, dentre outros. Na Praça 16 de Setembro há um pontilhão de concreto armado sobre o Ribeirão Bengo, bancos góticos, uma cascata junto ao coreto, além da fonte, um bloco de pedra rodeado por um pequeno lago.

Em Carmo de Minas, na praça principal da cidade, com a construção de bancos de cimento armado com grande originalidade[1], que imitavam troncos caídos e com encostos que se assemelhavam a bambus circundados por cipós retorcidos. Houve também a construção de um coreto com uma cascata artificial e um poste semelhante a um tronco de árvore. Apesar dessas inúmeras obras, apenas o coreto ainda existe na cidade, pois as outras obras foram demolidas. Na cidade de Cristina, Chico Cascateiro participou da reforma do jardim da praça Santo Antônio, onde construiu um pedestal para a escultura de um leão e uma fonte, chamada Peixinho. Em Baependi, construiu um chafariz na Praça Monsenhor Marcos, com bordas em rocaille. A obra do artista em Passa Quatro está na praça central da cidade, onde construiu um pavilhão para a fonte de água, bancos com imitação de troncos, em parceria com o estucador português José Antônio Faustino. Em Maria da Fé foi realizada uma obra na igreja Nossa Senhora de Lourdes e em algumas residências. Na mesma época, trabalhou nos jardins da Fazenda Goiabal em Itajubá (MAGALHÃES, 2017).

A obra de Chico Cascateiro se destaca pela reprodução de detalhes da natureza, como cogumelos, bambus, insetos troncos e cipós. Os cipós e troncos reproduzidos por ele se espelham nas espécies tropicais com texturas rugosas, dando um caráter excepcional e exótico às suas obras. Utilizava em suas obras estrutura de alvenaria de tijolo e ferro, modelados com cimento armado e com aplicação de pigmentos naturais para coloração. Segundo pesquisa realizada pelo poeta e pesquisador Eustáquio Gorgone de Oliveira (1949-2012), a argamassa utilizada pelo artista era composta de cimento, óleo de baleia, pedaços de tijolos, manilhas, cacos de telhas coloniais e francesas, além de cerâmica para os acabamentos. O óleo de baleia era utilizado tanto para dar liga à massa como para conferir impermeabilidade à água. Como não utilizava tinta, a coloração das obras era produzida por meio de pigmentos naturais. Produzia ou adaptava seus instrumentos de trabalho.

Bancos para o nosso jardim. O hábil cascateiro Sr. Francisco dos Reis está fazendo em os cantos e centro de nosso jardim público uns bancos de cimento armado, bancos de uma originalidade digna de nota. O primeiro que o distinto artista fez ao lado da Rua Te. Antonio foi oferta sua ao jardim, como uma recordação dos tempos que ali trabalhou. É um tronco de árvore, cahido, tendo a base carcomida, servindo de vaso, ao lado do assento e do confortável encosto. Essa dádiva despertou a curiosidade publica e os progressistas de nossa vila animaram-se. (A Folha Nova, 1921, Apud: MAGALHÃES, 2017, p.40)

Outra característica peculiar de Francisco da Silva Reis é a prática de assinar suas obras, diferente dos cascateiros de Portugal, uma vez que não foi encontrada lá até hoje uma obra assinada, mas semelhante aos rocailles franceses, que assinavam suas obras. As seguintes obras foram assinadas pelo artista, entre elas no mirante do parque das Águas de Caxambu e o coreto da Praça de Carmo de Minas.

Enfim, o trabalho do artista em Caxambu, muito visitada pela elite carioca, estimulou a difusão do trabalho nas outras cidades sul-mineiras, que ensejavam o mesmo padrão das rocailles difundidas na capital do país.

As obras do escultor naturalista confundem-se com a natureza e para isso, segundo a pesquisa realizada, o artista, grande admirador da natureza, ficava horas observando as árvores, pássaros e insetos na floresta que circundava a cidade; para depois tentar reproduzi-los figurativamente em suas obras.

Dessa forma, a natureza é vista como arte e sua reprodução instalada em cenas dos jardins e parques, passaram a aproximar a arte da jardinagem utilizando material vegetal, com formas e figurações complexas. Assim, obra de Chico Cascateiro, além de ter trazido um modelo paisagístico de Portugal e da Espanha, apropria-se de elementos da natureza tropical do sul de Minas Gerais para compor suas obras e a maioria delas encontra-se no Parque das Águas de Caxambu, onde o artista passou parte de sua vida brasileira.

3  ESCOLA PADRE CORREIA DE ALMEIDA

O prédio da escola Padre Correia de Almeida insere-se no perímetro do conjunto paisagístico, escultórico e arquitetônico do Parque das Águas e do núcleo de interesse histórico de Caxambu.  A arquitetura possui estilo eclético, com aspectos simétricos na fachada e na planta, os frontões (arquitetura de forma triangular que decora a fachada principal) e os arcos plenos caracterizam o estilo clássico do prédio, além do tema das pinturas dos painéis e azulejos. Por outro lado, as colunas retorcidas os medalhões ornados e remetem aos estilos barroco e rococó.

A Escola foi fundada em 18 de janeiro de 1922, por meio de decreto do governador do estado de Minas Gerais. A construção do prédio teve seu início apenas em setembro de 1926 e sua conclusão em abril de 1928. O local que foi escolhido para a construção da escola havia sido anteriormente a Prefeitura Municipal, que foi demolida, para dar espaço à escola Estadual, inaugurada em 13 de outubro de 1929.

A Escola foi transferia do estado para o Município em 1º de janeiro de 1998, passando a se chamar Escola Municipal Padre Correia de Almeida. Esse nome foi dado em homenagem em homenagem ao padre e poeta que imortalizou as águas medicinais de Caxambuem uma de suas poesias, como pode ser visto na Fonte Viotti.

A edificação está preservada, sem alterações da época de sua construção, e possui boa conservação. Em março de 2002 houve o tombamento municipal do prédio em decorrência de seu grande valor histórico, cultural e arquitetônico. As características preservadas compõem elementos paisagísticos de grande valor sociocultural.

4 MUSEU HISTÓRICO E GENEALÓGICO DE CAXAMBU

O Museu de Caxambu abriga um acervo que remete à cultura, arte e história da cidade e da região. Além do acervo particular, promove exposições itinerantes em parceria com outros museus. O prédio histórico foi construído em 1896 com a função de abrigar as caixas d’água que abasteceram por décadas a cidade. Sua arquitetura é eclética, estilo comum do final século XIX e início do século XX que tem como principais características a mistura de estilos arquitetônicos em que são percebidos elementos da arquitetura clássica, gótica, barroca e neoclássica. Foi transformado em um museu municipal através da Lei nº 464, de 26 de setembro de 1970.

O museu funcionou de 1970 a 1991 quando foi fechado, o que ocasionou a perda de grande parte do acervo.  Suas atividades foram retomadas em 2011, de maneira breve, até 2013, quando foi fechado novamente e só reaberto em julho de 2018 no Festival de Inverno.

A reabertura do museu em 2018,  representa maior acesso da população não só de Caxambu, mas de todo Circuito das Águas à arte, cultura, história e a memória de um povo, servindo como veículo de prervação histórico-cultural.

5 IGREJA DE SANTA ISABEL DA HUNGRIA

A Igreja de Santa Isabel da Hungria começou a ser construída em 1868, logo após ter sido lançada sua pedra fundamental pela Princesa Santa Isabel, para cumprir uma promessa feita a essa santa que era de sua devoção. Em gratidão por ter alcançado a cura da infertilidade e ter concebido após o tratamento com as águas ferruginosas do Parque das Águas, determinou o início das obras.O estilo arquitetônico da igreja é o neogótico. Estilo conhecido pelo revivalismo gótico, que pretendia recuperar as formas góticas da Idade Média, contrastando ao estilo predominante no período, o clássico.  Inaugurada em 1897, possui um altar simples e feito em madeira trabalhada, que abriga a imagem de Santa Isabel da Hungria. Foi tombada junto com seus pertences pelo instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais – IEPHA, em outubro de 1978 pelo decreto n.° 19.513, de 26 de outubro de 1978, e inscrito no Livro de Tombo n.° III — Histórico, das Obras de Arte Históricas e dos Documentos Paleográficos ou Bibliográficos. Ao lado da Igreja, encontra-se um busto em homenagem à Princesa Isabel, inaugurado em 2017, com a presença de seu bisneto, Dom Antônio de Orléans e Bragança.

Horário de visitação: segunda a domingo após às 13h

6 MORRO CAXAMBU

O Morro Caxambu é o ponto mais elevado da cidade, com 1.090 m. Neste espaço é possível ter uma vista panorâmica da cidade e ainda se deslumbrar com os contornos da Serra da Mantiqueira e da Serra do Papagaio. Para ter acesso ao Mirante do Morro você pode optar pelo Teleférico, o trajeto de subida e descida é feito em cadeirinhas individuais, suspensas por cabo tracionado. Agradável passeio que permite apreciar a bela vista panorâmica do Parque das Águas e de seu entorno. Outra opção é subir caminhando pelas trilhas. Para quem não se aventura a subir pelo Teleférico ou caminhando, basta acessar a estrada que dá acesso ao Morro. Experiência única é admirar o pôr do sol neste espaço, onde há um restaurante com cardápio mineiro e aperitivos, além de lojas de artesanatos com produtos regionais.

7 HOTEL CAXAMBU

Em torno do Parque das Águas ia crescendo o complexo de hotéis das Águas Santas de Baependy entre eles, em 1884, Evaristo Nogueira Sá fundou o Hotel Caxambu na Rua Major Penha, construção que existe preservada no mesmo local. Inclusive é o hotel mais antigo em atividade ininterrupta na rede hoteleira da cidade.

Uma construção que desde cedo foi inovadora, colocando água encanada e luz elétrica em suas dependências, em um momento histórico que tais costumes eram pouco comuns. O estilo arquitetônico utilizado foi o eclético, comum no período e com características da arquitetura clássica, gótica, barroca e neoclássica.

Em 1924 o Hotel foi vendido para Antônio Marques da Costa e Joaquim Teixeira de Andrade e, logo após, em 1928, a José Augusto Rezende. Em 1940 o hotel foi adquirido pela Empresa das Água de Caxambu que o administrou até 1975, quando foi adquirido pela família de Chalem Gadbem, que desde sua aquisição foi realizando restauração de seu patrimônio cultural, assim como adequação de jardins externos para a modernização do hotel nos parâmetros dos séculos XX e XXI.

Hoje o Hotel Caxambu é um prédio histórico bem conservado que permanece com suas características originais, possibilitando ao visitante uma viagem no tempo, revisitando nossa história.

8  PALACE HOTEL

O casal João Carlos Vieira Ferraz e D. Maria Carlota Cirne chegaram a Caxambu e adquiriram um pequeno hotel, do senhor João Luiz do Prado, próximo ao Parque das Águas de Caxambu e começou o empreendimento hoteleiro.

Expandindo e diversificando seus empreendimentos, José Carlos, em 1890, comprou o hotel João Carlos, que seria o Hotel da Empresa e depois Parc Hotel e entrou na sociedade da Companhia que se formaria com o Conselheiro Mayrink, para a exploração das águas minerais do parque. Deu o hotel em troca de ações da Companhia que nunca se tornou realidade. Decidiu então construir seu próprio hotel. O que ocorreu em 1892, quando fundou a Empresa do Palace Hotel e cassino João Carlos e em 1892 inaugurou o hotel que ficou até 1914 sendo o maior do país, até que novos e maiores hotéis foram construídos no Rio de Janeiro.

 O estilo arquitetônico da construção foi o neoclássico, com características da harmonia, beleza estética, simplicidade e equilíbrio das formas, além do uso da proporção e da clareza muito apreciado no final do século XIX.  O requinte do hotel era apreciado por seus hóspedes e conseguido por meio da importação de adereços e mobiliário da Europa, principalmente da França. O luxo e a qualidade dos serviços hoteleiros eram destaque nacional, atraindo muitos turistas, antes da estrada de ferro até a logística de transporte em diligências de primeira classe. Mantinha um belíssimo salão de jogos, além de outras diversões apreciadas pelos hóspedes.

João Carlos faleceu em 1927 no Rio de Janeiro, logo após o Hotel foi vendido para a Companhia Sul América, na pessoa de João Ribeiro, que o vendeu a Jácomo Rosário Staffa, que por sua vez o passou a José Galo e posteriormente a Paulo Vianna de Araújo, que, em conjunto à sua família, empreendeu grande reforma no edifício, conseguindo manter a atratividade do Hotel. Atualmente o hotel continua na família sob gestão de José Perez Gonzalez e Liana Maria Vianna Perez.

É o hotel mais antigo em funcionamento ininterrupto no Brasil e continua atraindo turistas interessados em conhecer o parque das Águas assim como seu prédio histórico.

9 HOTEL BRAGANÇA

O Hotel Bragança foi construído em 1896, quando se chamava Grande Hotel e Restaurante Silva, foi adquirido por Antônio Miguel Arnaut em 1925. Antônio Miguel foi residir no hotel com sua numerosa família. Até hoje o hotel é propriedade dessa família e atualmente administrado por Adília Licio Arnaut Feldman e Therezinha Arnaut, que até hoje residem no hotel. Durante muitos anos o Hotel Bragança teve como administrador Antônio Lício Arnaut Antônio Arnaut, filho do proprietário e que nasceu no hotel, tendo falecido em 2018.

Quando a família adquiriu o hotel, havia apenas quatro banheiros e posteriormente houve início as obras de adequação à nova realidade. O estilo oitocentista de sua arquitetura se mantém até os dias de hoje e sua fachada compõe a beleza paisagística do entorno do Parque das Águas, uma vez que se encontra ao lado deste.  Possui um mobiliário do final do século XIX e início do século XX, entre eles destacam-se lavatórios, camas, cadeiras, guarda-roupas, mesas, janelas em arco e luminárias antigas.

Na entrada do hotel, à esquerda, existe um corredor que serve de galeria para quadros, fotos e recortes de jornais contando a história do hotel e da cidade. A construção do lado do hotel foi, no passado, o antigo cassino e de dentro do hotel Bragança podia-se acessá-lo diretamente, para conforto dos hóspedes aficionados por

Considerando toda a herança histórica e cultural, o hotel foi tombado pelo município de Caxambu em 2018, com intuito de preservar nosso patrimônio material e preservar a história do município.

10 PARQUE DAS ÁGUAS   

O Parque das Águas de Caxambu, além de ser importante patrimônio natural da cidade, também pode ser considerado grande atrativo turístico municipal. É o local onde existe maior diversidade de águas do mundo, 12 fontes de águas minerais medicinais. A beleza paisagística do Parque pode ser apreciada em bosques, jardins e alamedas em estilo inglês, valorizando a paisagem natural, com formas curvas e arredondadas em seus caminhos, utilizando gramados extensos, valorizando as ondulações de seu relevo. Além disso, sua vegetação é diversificada, contando com plantas, flores e árvores de portes variados. São muitas as atrações disponíveis, para todos os gostos e idades: piscina de 25 metros de água mineral, lago onde se pode alugar pedalinhos, quadras esportivas, parquinho para crianças, quiosques para descanso, rotas para caminhada e Parque da Ciência. Atração imperdível é a visita ao gêiser, único na região, jorrando água sulfurosa ligeiramente morna, a 24,3° diariamente pela manhã e proporcionando banhos medicinais inesquecíveis.

No interior do Parque das Águas também podemos encontrar o Balneário Hidroterápico, uma exuberante construção que teve seu primeiro prédio inaugurado em 1879, sendo que, posteriormente, o mesmo sofreria reformas apresentando estilo neoclássico, ricamente ornamentado com vitrais franceses, concluído na década de 1920. Sua característica arquitetônica resgata a cultura greco-romana, por sua uniformidade, simplicidade composicional e espacial, além do uso e valorização de elementos arquitetônicos do Classicismo, como suas colunas, cúpula de fachada reta. Os vitrais, em estilo gótico francês foram feitos com pedaços de vidros coloridos e pintados que, vistos do interior do balneário, mostram um belíssimo cenário. Os azulejos e pisos portugueses e ingleses formam belíssimos mosaicos e desenhos.

O balneário também foi tombado pelo IEPHA, como Patrimônio Histórico, e integra o Conjunto Paisagístico e Arquitetônico do Parque das Águas e do seu entorno. Em seu interior são oferecidos diversos tipos de banhos, duchas e saunas, divididas em duas alas, feminina e masculina, além de uma relaxante piscina térmica de hidroterapia e cromoterapia.

Além do balneário, outra atração imperdível, para se ter uma bela vista panorâmica do Parque das Águas, é o Teleférico. O trajeto de subida e descida é feito em cadeirinhas individuais, suspensas por cabo tracionado. Agradável passeio que permite apreciar a riqueza paisagística do parque e seu entorno. A entrada do teleférico localiza-se na Rua João Pinheiro n° 348 e funciona diariamente de 9h às 18h, com exceção de terça-feira, quando se encontra fechado.  

11  HOTEL GLÓRIA

O Hotel Glória foi fundado em 1933 sob iniciativa de Domingos Gonçalves de Mello e projeto do engenheiro ferroviário Almeida Campos e dos arquitetos da Construtora Freire e Sodré, os mesmos que construíram o Grande Hotel de Araxá. Em 1935 houve a inauguração do cassino, que recebia muitos aficionados pelo jogo. Contudo, com a proibição do jogo no Brasil, em 1946 houve encerramento das atividades do Cassino e reforma da área para outros eventos, como bailes de carnaval, congressos entre outros.

O Novo Hotel Glória foi inaugurado em 1945, com o projeto da empresa que havia feito a primeira construção. Com o início das atividades no primeiro estabelecimento, há o processo de decadência das instalações anteriores, uma vez que não houve investimento em melhorias em sua estrutura física e manutenção que possibilitassem a manutenção das atividades hoteleiras. Assim, esse prédio que hoje é denominado de Glória Antigo ficou em desuso, apesar de constituir grande importância para o patrimônio histórico da cidade, uma vez que foi construído com estilo art déco – estilo artístico de caráter decorativo que surgiu na Europa na década de 1920.  Na arquitetura, sua expressão são as linhas circulares ou retas estilizadas, formas geométricas, influências do construtivismo, futurismo e cubismo, muito comuns na época.

Na década de 60 iniciaram-se obras de adequação à nova realidade hoteleira do país, e foram construídos a piscina, bar, vestiário e instalações sanitárias, onde antes era uma grande área verde. Na década de 70 foi criado um espaço destinado a jogos e outros entretenimentos de lazer, assim como a construção de um balneário com sauna e equipamento de bem-estar para os hóspedes.

Nas décadas de 80 e 90 novas intervenções foram feitas seguindo a tendência do setor hoteleiro do final do século XX, com a transformação da área do cassino, do Glória Antigo, em um Centro de Convenções, para receber eventos de diversas naturezas.  O que de fato trouxe diversos eventos, fazendo com que o hotel constituísse a maior arrecadação de ISS do município. Em 2009, o controle acionário de Hotel Glória S/A foi adquirido pelo grupo mineiro Engecon, com o comprometimento em manter a qualidade e sofisticação do serviço sempre ofertado pelo hotel.

12  ESTAÇÃO FERROVIÁRIA ANTIGA

A Estação ferroviária de Caxambu foi inaugurada em 1891 com um trecho da Viação Férrea Sapucaí vindo de Soledade de Minas; em 1895 foi prolongada até Baependi e em 1910 juntou-se à linha de Barra do Piraí, formando a então chamada “Linha da Barra”. Quando foi construída estava há alguns metros abaixo daquela que posteriormente se tornou a linha da Barra e lá estava também a Estação de Caxambu. Em 1939 com a elevação da linha férrea houve também a construção de uma nova Estação, um pouco mais acima da antiga, essa que vemos ainda hoje.

Sua arquitetura remete ao estilo germânico, com uma pintura que lembrava o modelo “enxaimel” – construção baseada na montagem de paredes com hastes de madeira encaixadas entre si. Outro ponto a ser destacado é o telhado inclinado que, também, é uma característica do estilo germânico.

Essa linha também era utilizada para o escoamento da água mineral engarrafada no Parque das Águas, assim, segundo pesquisas, a conexão era feita com um bondinho que chegava até a Estação; esse ramal foi extinto na década de 70.

A linha da Barra foi utilizada por trens de passageiros até 1942 entre Barra do Piraí e Passa Três, quando foi desativada; até 1961 entre Santa Rita do Jacutinga e Barra do Piraí; até 1970 entre Bom Jardim e Santa Rita; até 1972 entre Soledade e Aiuruoca e até 1977 entre Aiuruoca e Bom Jardim. A linha foi desativada em decorrência de dificuldades financeiras e já foi toda retirada. Em 1974 a Estação desativada foi transformada em Estação Rodoviária. Mais tarde, com a construção de outra estação rodoviária ao lado a antiga estação ferroviária, tornou-se abrigo de táxi até que em 2019 foi revitalizada para se tornar o Centro Cultural Estação Ferroviária.